MúsicaConfirmado

Análise: em 'Frequency of Love', Victoria Monét faz o R&B mais elegante do ano — e se estica demais

Com 22 faixas, SZA, Bruno Mars e Lucky Daye, o sucessor do vencedor do Grammy 'Jaguar II' é um tratado sobre o amor em todas as formas.

Foto: AP/ABC News

Esta é uma análise opinativa. Três anos depois de 'Jaguar II', que lhe rendeu o Grammy, Victoria Monét lançou nesta sexta (2) 'Frequency of Love' (Lovett Music/RCA), um disco de 22 faixas que ela mesma descreve como reflexo do que viveu e sentiu enquanto namorava. A cantora contou à AP que se inspirou no salto de Michael Jackson entre 'Off the Wall' e 'Thriller' e que pensou primeiro num álbum de 'yacht R&B' antes de ampliar o escopo.

O resultado é um passeio de bom gosto por R&B, house e slow jams: 'Reach Out', produzida por KAYTRANADA e D'Mile, leva o disco para a pista; 'Juicy' tem brilho de yacht rock; e 'Let Me', que chegou ao 1º lugar da parada Adult R&B Airplay da Billboard, é vulnerável sem ser melosa. Interpolações de R&B dos anos 90 (Brandy e Kenny Lattimore são citados) dão textura de memória afetiva.

Os convidados funcionam como personagens: SZA dá clima neo-soul a 'See You In My Dreams', Bruno Mars se derrete em 'That's Why I Love You' e Lucky Daye cria química em 'Maybe'. A crítica destaca ainda 'You Hurt Me Too', de voz quebrada sobre piano, como o momento mais devastador — e o fecho com Leon Thomas e a filha Hazel em 'You Mean The World To Me' amplia o tema para o amor materno.

O problema é o tamanho: 22 faixas e vários interlúdios diluem um disco que, com 14 músicas, seria impecável. Ainda assim, poucas vozes do R&B atual contam histórias com tanto controle e elegância. Monét sai em turnê de 27 de outubro a 17 de dezembro.

Nota: 8/10

Mais em Música

Ver tudo →