Análise: em 'Toc-Toc', Ed Motta reaprende o refrão pop e faz as pazes com o português
Primeiro disco pop em português em 13 anos, o 15º álbum do cantor troca a orquestra pelo electro-funk e por baladas dançantes.
Foto: Divulgação/Billboard BrasilEsta é uma análise opinativa. 'Toc-Toc', lançado em 25 de setembro, é o 15º álbum de estúdio de Ed Motta e marca a volta dele ao pop cantado em português depois de mais de uma década compondo e gravando em inglês. São 11 faixas, de 'Eu Quero Ser Feliz' a 'Voltei Pra Mim', produzidas por ele e Michel Limma e lançadas pelo seu selo, Dwitza, em parceria com a alemã MPS.
A virada é de sonoridade. Se o disco anterior apostava na complexidade orquestral, aqui o cardápio é baixo sintetizado, bateria programada, electro-funk, soul, balada e até bossa com baixo eletrônico — um aceno claro aos primeiros trabalhos, 'Conexão Japeri' (1988) e 'Um Contrato com Deus' (1990), e à black music americana dos anos 1970 e 80. Ed admitiu à Billboard Brasil que passou anos sem conseguir escrever um refrão pop no idioma, e o desafio de simplificar aparece como motor do projeto.
O ponto alto é justamente essa disposição para a leveza: com letras de Edna Lopes, parceira frequente, e uma colaboração de Leoni, as canções miram a pista e o descanso, e não o virtuosismo pelo virtuosismo. "A obra aponta para outro lado, não para o mau humor", disse ele ao Diario de Pernambuco, num momento em que tenta virar a página da repercussão de um áudio vazado em maio, de uma discussão em um restaurante no Rio, que ele trata como "fato isolado".
O risco é o mesmo que ele reconhece: "Uma coisa é fazer isso aos 18 anos e outra é fazer aos 54". O verniz harmônico acumulado em quatro décadas às vezes pesa sobre a proposta de simplicidade, e quem esperava um disco de hits imediatos pode encontrar um pop mais de apreciação do que de rádio. Ainda assim, 'Toc-Toc' soa como um artista feliz de novo com a própria língua — e isso já é bastante.
Nota: 7/10






