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Análise: em 'Escorpião', MC Cabelinho abre o diário amoroso em 9 faixas, acerta com Marina Sena e deixa a internet caçando a 'Escorpiana'

Sexto álbum do rapper carioca é curto, coeso e confessional, mas às vezes prefere o clima à canção.

Foto: Divulgação via POPline

Análise. MC Cabelinho chega ao sexto disco com uma tese simples: aquariano com ascendente em Escorpião, ele diz que 'essa mistura fala muito' sobre quem é. 'Escorpião' transforma isso em nove faixas pensadas para serem ouvidas do começo ao fim, de 'Não Me Compare', a abertura sedutora, a 'O Triste Fim'. O produtor Dallass define bem o método: Victor (o nome de batismo) cria 'a partir de uma vivência real', 'como um diário'. É a força do álbum: desejo, ciúme e solidão aparecem sem pose de durão.

Os melhores momentos estão onde o disco se arrisca. 'Solitário' veste o pós-término com cordas orquestrais e mostra um Cabelinho mais vulnerável do que o do trap de ostentação. 'Veneno', com Marina Sena, abre com um 'nossa vibe exala sexo' e funciona porque cada um mantém a própria identidade — a própria Marina chamou a faixa de a melhor parceria dos dois. 'Rótulos', com Klisman e Alee, fala de relações fora do padrão sem moralismo. E 'Escorpiana', terceira faixa, virou combustível para a fofoca sobre a vida amorosa do rapper, o que diz muito sobre o poder do disco de pautar conversa.

O tropeço é a uniformidade: com produção de Dallass, Palma, BAMMA e Qually costurando tudo num mesmo clima noturno, algumas faixas do meio, como 'Pontas no Cinzeiro' e 'Jogo Perdido', soam mais como atmosfera do que como canção memorável. Ainda assim, em tempos de álbuns inchados para inflar streams, nove faixas coesas e confessionais são um gesto de maturidade. Nota: 7/10

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