Análise: em 'Tip Toe', Alan Cumming e David Morrissey fazem do ódio online um thriller de vizinhos de arrepiar
A nova minissérie de Russell T Davies, que estreou nos EUA pelo Starz nesta sexta (2), começa por um assassinato e volta dez dias no tempo para mostrar como se chega lá.
Foto: Starz/Channel 4/Divulgação via RogerEbert.comRussell T Davies, de 'It's a Sin', volta ao tema que domina como poucos, a vida LGBTQ+ na Inglaterra, mas agora em tom de alarme. 'Tip Toe', minissérie de cinco episódios exibida no Reino Unido pelo Channel 4 em junho e lançada nos EUA pelo Starz nesta sexta-feira (2), abre com um assassinato e então recua dez dias. Do outro lado da rua estão Leo Struthers (Alan Cumming), dono de um bar gay, e Clive Goss (David Morrissey), um vizinho que vai sendo engolido por discursos anti-LGBTQ+ e teorias da conspiração nas redes sociais. No meio, o jovem George Goss (Jackson Connor) guarda um segredo sobre a própria sexualidade.
O que segura a série são os dois protagonistas. Cumming encontra camadas delicadas num homem cansado de se defender, e Morrissey é assustador justamente por parecer comum, o tipo de vizinho que empresta a escada e, aos poucos, passa a repetir o que lê no celular. A estrutura de contagem regressiva funciona: sabemos aonde a história vai, e o suspense está em ver como a hostilidade cotidiana escala sem que ninguém perceba. A crítica britânica foi generosa (Guardian, Independent e Financial Times deram quatro estrelas ou mais), e o RogerEbert.com elogia 'duas das melhores atuações do ano'.
Nem tudo convence. Em vários momentos, Davies deixa a mensagem passar à frente da história, e alguns personagens viram porta-vozes de argumentos políticos com falas que soam ensaiadas. A forma como a série trata o feminismo 'crítico de gênero' também dividiu opiniões no Reino Unido. Ainda assim, quando dá espaço para seus personagens respirarem, 'Tip Toe' é um drama urgente e desconfortável na medida certa. Nota: 8/10






