Análise: em 'The Social Reckoning', Sorkin volta ao Facebook, Mikey Madison rouba o filme como a delatora Frances Haugen — e o Zuckerberg de Jeremy Strong vira coadjuvante da própria história
Quase continuação de 'A Rede Social' estreia nos EUA nesta sexta com 63% no Rotten Tomatoes e divide a crítica.
Foto: Reprodução/AV ClubDezesseis anos depois de 'A Rede Social', Aaron Sorkin — agora roteirista e diretor — volta ao Facebook por outra porta. 'The Social Reckoning', que estreia nos cinemas americanos nesta sexta (9), acompanha Frances Haugen (Mikey Madison), cientista de dados do time de integridade cívica da empresa que passa a desconfiar que o algoritmo empurra usuários para grupos extremistas. Ela leva o material a Jeff Horwitz (Jeremy Allen White), repórter do Wall Street Journal, enquanto Mark Zuckerberg (Jeremy Strong) se prepara para depor no Congresso às vésperas da publicação dos 'Facebook Files'. A estrutura salta entre 2019 e 2021, com Bill Burr, Wunmi Mosaku e Betty Gilpin no apoio.
O melhor do filme é o que Sorkin sempre soube fazer: transformar assunto técnico em diálogo que prende, e aqui a lógica do algoritmo fica clara sem virar aula. Madison é o coração da história, uma Frances dividida que a crítica do AV Club chama de atuação mais cheia de nuances do elenco e o Consequence aponta como uma das mulheres mais completas já escritas por Sorkin. O problema é o outro lado: o Zuckerberg de Strong rachou opiniões — 'travado e preciso' para uns, 'robótico' e possivelmente o pior trabalho da carreira para o AV Club —, e os saltos para a trama dele quebram o ritmo justamente quando a investigação jornalística esquenta. Piadas datadas, como a da 'estagiária menina', também envelhecem mal, e quem acompanha o noticiário sobre o Facebook vai reconhecer muitas das 'revelações'.
O placar resume bem a sensação: 63% de aprovação inicial no Rotten Tomatoes, com elogios do tipo 'um dos filmes mais envolventes do ano' convivendo com o veredito de que o filme 'não justifica a própria existência'. É um thriller jornalístico competente e atual, guiado por uma atriz em ascensão, mas que nunca alcança a eletricidade de 'A Rede Social' — Sorkin, o roteirista, continua afiado; Sorkin, o diretor, é no máximo correto. Nota: 6,5/10






