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Análise: em 'Carrie', Mike Flanagan troca o baile pelo detector de metais, faz de Margaret uma vítima — e despeja o sangue um episódio antes do fim

A releitura em oito episódios do clássico de Stephen King no Prime Video tem elenco afiado e o melhor retrato de escola dos últimos anos, mas tropeça ao preparar uma segunda temporada.

Foto: Prime Video

Mike Flanagan estreia no Prime Video, depois de anos de terror na Netflix, com a quarta adaptação de 'Carrie', romance de estreia de Stephen King. Os oito episódios chegaram de uma vez na quarta (7) e trazem Carrie White (Summer H. Howell) para o presente: depois que o pai morre num acidente em uma obra, a garota criada em isolamento pela mãe, Margaret (Samantha Sloyan), é jogada numa escola pública da cidadezinha de Ewen, onde celular, rede social e simulados de tiroteio fazem parte da rotina — e onde seus poderes telecinéticos começam a despertar.

A atualização vai além de colocar smartphones em cena. Como apontou o TheWrap, que chamou a série de 'sucesso retumbante', a escola vira um lugar de trauma cotidiano, com detectores de metal e adultos anestesiados pela violência armada. Flanagan também dá vida interior à cidade inteira: Chris Hargensen (Alison Thornton) ganha uma casa problemática que explica, sem perdoar, sua crueldade; Sue Snell (Siena Agudong) fica moralmente mais ambígua; e o corpo docente, com Matthew Lillard como diretor, Amber Midthunder como a jovem professora Rita Desjardin e Tim Bagley como orientador, carrega boa parte do drama. A virada mais ousada é Margaret: em vez do monstro fanático de sempre, Sloyan, parceira habitual de Flanagan, entrega uma mãe superprotetora e ferida, o que torna seus abusos ainda mais incômodos.

Summer H. Howell segura o centro com uma Carrie mais doce e expansiva do que as versões anteriores, e é justamente aí que mora uma das queixas da crítica. O Bloody Disgusting (2,5 de 5) vê uma protagonista mais passiva, quase um fantoche da trama, e uma telecinese deixada em segundo plano até os dois últimos episódios. O Gizmodo concorda que o desfecho é apressado: as vinhetas sobre outras mulheres com poderes parecem enxerto, e o baile, agora no penúltimo capítulo, soa quase anticlimático depois de tanto drama acumulado.

No saldo, 'Carrie' funciona melhor como drama adolescente sobre instituições que falham com seus alunos do que como série de terror — o medo aqui é mais existencial do que de pular da cadeira. A direção cuidadosa, a trilha contida dos Newton Brothers e piscadelas como o letreiro de uma retrospectiva de Brian De Palma mostram um autor em forma, mas o final, que troca a catarse por perguntas abertas para uma eventual continuação, deixa a sensação de história interrompida. Nota: 7/10

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