Análise: em 'QRÖMELIFE', Quavo deixa Pharrell mandar em tudo, reencontra Offset e vê Tyler roubar a cena com o verso que ele mesmo chama de 'top 25 da história do rap'
Terceiro solo do ex-Migos, inteiro produzido por Pharrell, é um disco de luto disfarçado de festa — divertido e cheio de estrelas, mas às vezes convidado na própria casa.
Foto: Stereogum/Reprodução'QRÖMELIFE', lançado na sexta (2) pela Quality Control e pela Motown, é o terceiro álbum solo de Quavo, depois de 'Quavo Huncho' (2018) e 'Rocket Power' (2023), e tem uma ideia clara: entregar as 14 faixas a Pharrell Williams, produtor e produtor-executivo de tudo. O rapper conta que o amigo o desafiou a 'ir maior e fazer música de estádio', e o resultado soa mais solar e brincalhão do que o trap de Atlanta que o consagrou. 'Trance (Walk It Down)' interpola 'Let the Music Play', de Shannon, com 808s modernos, e 'HAAVIN', que estreou no desfile da Louis Vuitton em Paris, é pura ostentação de passarela.
O coração do disco, porém, está em 'Away'. É a primeira faixa de Quavo com Offset desde 'Culture III', de 2021, e a reconciliação dos dois sobreviventes do Migos, nascida do luto por Takeoff, dá ao álbum um peso que as batidas festivas às vezes escondem. Quavo admite ter feito o disco 'ainda lidando com o luto', e isso aparece mais nas entrelinhas do que nas letras. Já 'Baby Breath', com Pharrell, A$AP Rocky e Tyler, The Creator, é o momento de espetáculo: Tyler escreveu que ali está 'o melhor verso de todos os tempos' dele, 'provavelmente top 25 da história do rap'. Exagero de rapper, mas o posse cut é mesmo o ponto alto.
O problema é que, com nove convidados em sete faixas — Future, T.I., Lil Baby, Yung Miami e até Justin Timberlake em 'House Music' —, Quavo às vezes vira coadjuvante do próprio álbum, e a assinatura de Pharrell pesa mais que a do dono. A crítica se dividiu: o Ratings Game Music deu 4 de 5 e chamou o disco de 'seriamente não sério', enquanto o Morton on the Mic falou em tropeço. É um álbum leve, bem acabado e com um gancho emocional real, mas que poderia ter confiado mais na voz de quem perdeu o parceiro e decidiu seguir em frente. Nota: 7/10






