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Análise: em 'MudaH', Carín León vai do corrido com Ryan Castro à salsa 'tumbada' e ao pop-rock — e prova que o 'H' de Hermosillo não é só enfeite

A edição deluxe de 'Muda', indicado a Álbum do Ano no Grammy Latino, soma cinco inéditas que confirmam o mexicano como o artista mais inquieto da música regional.

Foto: divulgação via The Music Universe

Cinco meses depois de 'Muda', o álbum que lhe rendeu indicações a Álbum do Ano e Gravação do Ano no 27º Grammy Latino, Carín León lançou nesta sexta-feira (9) 'MudaH', versão deluxe com 19 faixas — cinco delas inéditas — pelo selo Socios Music. O 'H' mudo no título é uma homenagem a Hermosillo, a cidade de Sonora onde o cantor nasceu, e funciona como chave de leitura: as novas músicas soam como um passeio pelo que o formou, sem pedir licença a nenhum gênero. 'Sempre fui apaixonado pela música, não por um gênero', resumiu ele.

A vitrine é 'Atte El Insuperable', corrido movido a charchetas (as trompas típicas do regional mexicano) em que Ryan Castro, de Medellín, entra no 'terreno' de Carín. É um tema de coração partido cantado com arrogância e humor — a assinatura 'atenciosamente, o insuperável' diz tudo — e o encontro funciona porque nenhum dos dois tenta soar como o outro; o colombiano resumiu que os estilos 'vêm de mundos diferentes, mas têm muito em comum'. Em seguida, 'Ya No Llora' leva o fim de namoro para uma salsa 'tumbada', 'Miss Mierda' começa como balada alternativa e desemboca no pop-rock, 'El Bolero' fala de se apaixonar de novo e 'Echando a Perder Se Aprende' mistura texturas mexicanas e hip-hop.

Na análise, o pacote acerta mais do que a média das edições deluxe, que costumam ser só sobras de estúdio: as inéditas ampliam a proposta de 'Muda', disco que já trafegava por big band, ska, blues e funk sobre base mexicana, e reforçam o que Carín disse sobre o projeto — muitas raízes, mas 'uma linguagem muito mais universal'. O risco é a dispersão: cinco faixas, cinco gêneros, e nem todas têm a força do single com Castro. Ainda assim, a escolha coerente pelo ecletismo, às vésperas do Grammy Latino, mostra um artista que já não cabe no rótulo de 'regional'. Nota: 7,5/10

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