Análise: em 'Crisco', Miranda Lambert calça patins, leva o country para a pista de disco e se diverte como nunca
O 10º álbum solo da texana mistura cordas exuberantes, baixo funkeado e honky-tonk, com Chris Stapleton e Ella Langley de convidados.
Foto: Divulgação/MCA via That Eric AlperDepois de duas décadas como uma das vozes mais afiadas do country, Miranda Lambert decidiu dançar. 'Crisco', lançado na sexta-feira (2) pela MCA, tem 12 faixas coproduzidas por ela e Jesse Frasure e nasceu, segundo a cantora, de uma conversa sobre discos antigos: por que o country olha tão pouco para a própria história? A resposta é uma ponte com o country-disco do fim dos anos 70 e início dos 80, aquele de 'Islands in the Stream', de Dolly Parton e Kenny Rogers, com cordas grandiosas, globo espelhado e bota de cobra.
Nesta análise, o que mais chama atenção é a leveza. 'Snakeskin Boots', com Ella Langley, abre o disco como um faroeste cinematográfico; a faixa-título usa a mistura de gêneros como metáfora de relacionamento; e 'A Song to Sing', com Chris Stapleton, pulsa num baixo funkeado que resume a proposta. 'Two Things Can Be True' junta steel guitar melancólica e shuffle, e 'Cuttin' Onions' tem a atitude atrevida que fez a fama de Lambert. A releitura acelerada de 'I'll Have to Say I Love You in a Song', de Jim Croce, respeita o original sem soar museu.
Nem tudo cola: 'Whiskey Business' escorrega num coro de festa meio bobo, e o single-título já tinha sido recebido com frieza em maio por quem achou a voz processada demais. Ainda assim, a crítica americana se rendeu ao disco como um todo, com notas de 7,6 no Country Central e 8 na RIFF, e é difícil discordar: 'Crisco' é o som de uma estrela que não precisa provar mais nada e, por isso, finalmente soltou o cabelo. Nota: 7,5/10






