Análise: em 'QRÖMELIFE', Quavo reencontra Offset, troca o trap pelo groove de Pharrell e acerta mais do que erra
Disco de 14 faixas produzido por Pharrell tem Tyler, the Creator, Justin Timberlake e Future, mas brilha mais quando é pessoal.
Foto: Ratings Game MusicEsta é uma análise opinativa. 'QRÖMELIFE', lançado nesta sexta-feira (2) pela Quality Control/Motown, é o disco em que Quavo deixa de lado o trap seco dos Migos e entrega o comando sonoro a Pharrell Williams, produtor de todas as 14 faixas. O rapper conta que gravou o projeto no ano passado, ainda lidando com o luto pela morte de Takeoff, em 2022, e que Pharrell foi um guia criativo nesse período.
O momento de maior peso é 'Away', primeiro encontro em disco dos dois Migos sobreviventes, Quavo e Offset, desde a tragédia: uma faixa sobre luto e seguir em frente que vale mais pelo simbolismo do que por qualquer verso de efeito. 'House Music', com Justin Timberlake, empurra o álbum para longe do trap e para perto do groove e da melodia, e é o risco que mais compensa.
Nem todo convidado funciona. 'Baby Breath', que junta Pharrell, Tyler, the Creator e A$AP Rocky, parecia o ápice no papel, mas soa como quatro egos disputando espaço, uma oportunidade desperdiçada que parte da crítica também apontou. Já 'Trance' e 'HAOYU DEWDAT', com Yung Miami, mostram um Quavo mais cantor, à vontade com refrões leves; a recepção inicial é dividida, com elogios à diversão e críticas de que nem ele nem Pharrell estão no auge.
No saldo, 'QRÖMELIFE' é o trabalho solo mais interessante de Quavo: menos previsível, mais luminoso e com um coração real no meio. Falta corte, porque 14 faixas com tanto convidado deixam a sensação de playlist, mas a aposta em sair da zona de conforto merece crédito.
Nota: 7/10






