Um sobrenome tirado de Rousseau, 157 obras, 83 regravações de 'Tempo Perdido' e dois meses trancado em casa no fim: a história de Renato Russo, que morreu há 30 anos
O líder da Legião Urbana morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, no apartamento de Ipanema, pouco depois de gravar 'A Tempestade'.
Foto: Reprodução via PurepeopleRenato Manfredini Júnior escolheu o nome artístico em homenagem ao filósofo Jean-Jacques Rousseau e ao pintor Henri Rousseau. Segundo a mãe, Maria do Carmo Manfredini, ainda menino ele se isolava para ouvir música clássica e ler a 'Enciclopédia Britânica' e 'Os Pensadores'. Na metade dos anos 1970, ficou dois anos de cama por causa de uma doença viral. Como fundador e voz da Legião Urbana, assinou clássicos como 'Eduardo e Mônica', 'Que País é Este' e 'Pais e Filhos', e em 1989 falou publicamente sobre ser gay.
O cantor morreu por volta de 1h15 de 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, em seu apartamento em Ipanema, no Rio, com o pai e uma enfermeira por perto. O médico atribuiu a morte a complicações da aids, com septicemia, broncopneumonia e infecção urinária; ele vivia com o HIV havia seis anos. Nos dois últimos meses, ficou isolado em casa, chegou a pesar 45 kg e recusou a internação. Fernanda, mulher de Dado Villa-Lobos, contou à 'Folha de S.Paulo' que o guitarrista o encontrou no último dia sem conseguir comer, levantar ou falar, e que a depressão começou depois da gravação do último disco da banda, 'A Tempestade' (1996).
Por vontade dele, não houve velório nem cortejo: o corpo foi cremado no Cemitério do Caju no feriado de 12 de outubro, com Marina Lima e Ana Beatriz Nogueira entre os presentes. Ele deixou um filho, então com 7 anos. Três décadas depois, a obra segue viva: levantamento do Ecad de 2025 contabiliza 157 obras e 327 fonogramas ligados a Renato, e 'Tempo Perdido' é a mais tocada dos últimos anos e a mais regravada, com 83 versões registradas.






