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Análise: em 'She's the Best', Troye Sivan troca a euforia da pista pela ressaca do after — com Madonna sampleada, Nicole Kidman no clipe e Charli xcx no coro

Quarto álbum do australiano, lançado nesta sexta (9), é mais solto, noturno e esquisito que 'Something to Give Each Other' — e cresce a cada audição.

Foto: Marcus Cooper/Divulgação via NME

Três anos depois de 'Something to Give Each Other' (2023), disco feito para a euforia máxima da pista, Troye Sivan lançou nesta sexta-feira (9), pela Interscope, 'She's the Best'. Este texto é uma análise: o FAMEFILE ouviu o álbum e cruzou a escuta com as primeiras críticas publicadas por Clash, NME e Rolling Stone Australia. O ponto de partida é outro: em vez da festa, a madrugada depois dela, com um narrador que procura alguém que ainda não chegou e se apoia nas mulheres da própria vida.

A faixa-título, primeiro single, é a mais redonda: uma carta de amor às amigas, com Charli xcx nos vocais de apoio e Nicole Kidman como protagonista do clipe. 'Party', o segundo single, gira em torno de um trecho de 'Music', de Madonna, quase como um mantra, e ganhou vídeo com narração de Ian McKellen. A sombra da Madonna de 'Erotica' (1992) também paira sobre o deep house de 'Canada Dry', enquanto 'Le Boy' tem um gancho que a NME liga a 'Sexy Boy', do Air. O disco fecha com 'Lost Time', aberta por um monólogo em francês de Lily-Rose Depp.

Os créditos ajudam a explicar o clima solto: Leland coescreve boa parte das faixas, Jack Antonoff entra com sua produção de sensação acima da precisão, e George Daniel, do The 1975, também aparece entre os colaboradores. Os pontos altos estão longe do 4x4 óbvio: 'I Do This For You', construída sobre um sample obscuro e com uma ponte feita de anúncios pop-up que traduz bem a solidão dos aplicativos de namoro, e 'Embarrassingly', violão dedilhado sobre um ex que soa bonito apesar da franqueza.

Nem tudo funciona. A NME aponta, com razão, que o tom lânguido às vezes vira divagação, e 'FF' se arrasta além dos quatro minutos. A Clash fala em 'chicotadas' de estilo entre uma faixa e outra, o que torna o disco mais difícil de resumir numa frase do que o antecessor. Mas é justamente isso que o deixa mais humano: 'She's the Best' não quer ser amado de imediato, quer ser convivido — e recompensa quem volta a ele. Nota: 7,5/10

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