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Análise: 'Schumacher '94' emociona ao revisitar Imola e o nascimento de uma lenda — mas foge de Damon Hill como Benetton fugia de vistoria

Documentário da Netflix sobre o primeiro título de Michael Schumacher tem arquivo de primeira e um lado só da história.

Foto: Divulgação/Netflix via Martin Cid Magazine

Esta é uma análise. 'Schumacher '94 — O Nascimento de uma Lenda', que chegou à Netflix nesta sexta (2), escolhe com inteligência seu recorte: em vez de mais uma biografia completa, o filme de Christin Freitag, produzido pela alemã Leonine, acompanha só a temporada de 1994, da vitória em Interlagos ao título decidido por um ponto em Adelaide. Em cerca de 1h45, o material de arquivo e o desenho de som são o grande trunfo: ver o jovem Schumacher endurecer corrida a corrida, enquanto a 'Schumania' toma a Alemanha, é fascinante. Michael aparece só em imagens da época; quem fala por ele são Corinna, Willi Weber, Flavio Briatore, Pat Symonds, Bernie Ecclestone e David Coulthard.

O trecho de Imola, que ocupa cerca de um quarto do filme, é o mais forte e o mais difícil de assistir, justamente porque sabemos o que vem. Para o público brasileiro, a morte de Ayrton Senna (e a de Roland Ratzenberger, na véspera) ganha o peso de virada narrativa, resumida na frase de Weber de que Michael mudou depois daquele fim de semana. Os créditos finais dedicam o filme aos dois pilotos, um gesto correto e comovente.

O problema é o que fica fora. Bandeira preta em Silverstone, suspensão de duas corridas, a prancha irregular em Spa, as suspeitas de controle de tração e o incêndio no pit em Hockenheim aparecem, mas sempre pelo ângulo do alemão, como se os outros fossem os vilões. Damon Hill, rival direto, só surge em imagens de 1994, sem uma entrevista nova, e a batida de Adelaide é mostrada sem o contexto que a tornou a mais polêmica da história da F1. É um filme emocionante para fãs e quase um tributo, mas como documento histórico fica devendo coragem. Nota: 7/10

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