Análise: em 'Cupertino', Mike Colter é demitido por uma empresa de IA, monta um escritório com outros 'descartados' e processa o Vale do Silício — os criadores de 'The Good Wife' acertam o alvo, mas erram a mão em piadas e merchandising
Nova série jurídica de Robert e Michelle King estreou na quinta (8) na CBS com 100% no Rotten Tomatoes e chega no dia seguinte ao Paramount+.
Foto: CBS/DivulgaçãoRobert e Michelle King passaram uma década fazendo do tribunal de Chicago um espelho da política americana em 'The Good Wife' e 'The Good Fight'. Em 'Cupertino', que estreou na quinta (8) na CBS, o casal muda de CEP e de inimigo: o alvo agora são os bilionários da tecnologia. Mike Colter, parceiro dos Kings em 'Evil', vive Michael Price, advogado demitido de uma start-up de inteligência artificial sob acusação de vazar segredos — e convencido de que a empresa só quer ficar com as ações milionárias dele. No mesmo dia, cai também Olivia Siffre (Rachel Keller), e os dois, sem nenhum escritório disposto a enfrentar a Big Tech, abrem a própria firma com a ajuda da assistente Christy Palladino (Ella Stiller).
O piloto, 'Michael and Olivia', escrito pelo casal e dirigido por Robert King, funciona porque a premissa é de fácil torcida: gente comum puxando poderosos do pedestal, com processos por demissão injusta, roubo de identidade, assédio e racismo. Colter tem presença de protagonista, Keller equilibra o tom com ironia e o elenco de apoio é um luxo, de Renée Elise Goldsberry como ex e adversária a Joe Morton como o pai famoso de Michael, passando por Busy Philipps como a divorciada bilionária que banca a firma. Críticos que viram os cinco primeiros episódios citam casos sobre um assassinato estimulado por chatbot e trabalhadores mal pagos para treinar IA — terreno onde os Kings sempre souberam transformar manchete em drama de tribunal.
Os tropeços são de acabamento. Duas piadas de cunho sexual soam deslocadas num drama de horário nobre, a família de Christy flerta com o estereótipo do ítalo-americano que resolve tudo 'por conhecidos', e o merchandising de balas e uniformes de restaurante salta da tela. Ainda assim, com 20 episódios encomendados, 100% de aprovação inicial no Rotten Tomatoes e um tema mais atual impossível, 'Cupertino' tem tudo para ser o procedural mais esperto da TV aberta americana nesta temporada — mesmo sem o veneno de 'Evil'. Nota: 7/10






