Análise: em 'A Ilha do Tesouro', David Oyelowo faz um Long John Silver de dar medo, Hayley Atwell vira mãe de Jim duelando com piratas — e a série esquece o garoto por metade da viagem
A minissérie de seis episódios do MGM+, que estreia neste domingo (11), reinventa Stevenson com ambição, mas tropeça no roteiro e nas cenas de ação.
Foto: Divulgação/MGM+Esta é uma análise. A nova 'A Ilha do Tesouro', criada por Robert Murphy e lançada pelo MGM+ neste domingo (11), mexe bastante no clássico de Robert Louis Stevenson. Jim Hawkins (Tom Sweet) agora tem memória fotográfica, usada pela mãe viúva, Bess (Hayley Atwell), para arrancar dinheiro dos fregueses da estalagem decadente que a família mantém na Cornualha. Quando o pirata Billy Bones (Tomer Capone) aparece com o mapa do Capitão Flint e Long John Silver (David Oyelowo) entra em cena, mãe e filho embarcam juntos rumo ao tesouro — com o personagem de Jack Huston correndo por fora atrás do mesmo mapa.
A melhor carta do baralho é Oyelowo: seu Silver é carismático, ameaçador e cheio de camadas, e a relação com Jim, quando finalmente ganha espaço, é o que a série tem de mais vivo. Atwell se diverte como Bess, irônica e boa de espada, e os cenários caprichados fogem da dependência de tela verde. O problema é a escolha estrutural: na primeira metade, a jornada é de Bess, e Jim funciona quase como um objeto a ser protegido. Só na virada do meio da temporada a série volta para o garoto e passa a soar fiel à origem.
Também pesa um roteiro repetitivo, com personagens movidos quase só pela ganância e pouca história entre mãe e filho para justificar o drama. As cenas de ação são burocráticas — e o sangue digital barateia a produção. Temas como escravidão e revolta contra a opressão aparecem no pano de fundo, mas mais como decoração do que como discussão. Fica uma aventura bonita de ver, sustentada pelo elenco, mas que passa perto do 'X' do mapa sem cavar fundo. Nota: 5/10






